Mostrando postagens com marcador Quaresma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quaresma. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de fevereiro de 2015

II DOMINGO DA QUARESMA - ANO B


Gn 22,1-2.9-13.15-18
Rm 8,31b-34
Mc 9,2-10

Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” (Mc 9, 7)

No segundo domingo da quaresma a Igreja nos apresenta o evangelho da transfiguração de Jesus. O motivo é pedagógico e corresponde ao mesmo que levou o evangelista a colocar esta cena após o anúncio que Jesus fez de sua paixão e das condições para segui-lo (cf. Mc 8,31-38). Os discípulos poderiam ser esmagados pela tristeza da morte de seu Mestre, poderiam se desesperar. É isso que rezaremos no prefácio de hoje:
Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu esplendor. E como o testemunho da Lei e dos Profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela Paixão e Cruz, chegará à glória da ressurreição[1].
Após uma semana de jejum, oração e caridade, a Igreja nos mostra qual o fim último da nossa penitência em vista da conversão: a transfiguração, a ressurreição, a vida plena, que nós iremos celebrar antecipadamente na páscoa.
Talvez você me diga que nem lembrou da penitência e que esta semana não se diferenciou das outras. Mesmo assim esta leitura é para você que está passado, ou já passou, momentos difíceis ao ponto de duvidar da existência de Deus ou de Sua proximidade e cuidado.
Na primeira leitura ouvimos a narrativa de Abraão que ouve o Senhor lhe pedindo em sacrifício o seu único filho, aquele que foi fruto de uma promessa divina que demorou décadas para ser cumprida, Isaac. O filho que Deus lhe deu! Na última hora o Senhor poupou Isaac. Ele só queria provar a fé e o amor de Abraão. Jesus é a realização perfeita deste sacrifício: carregou nos ombros o lenho, foi amarrado (durante a paixão) e posto sobre um monte (Jerusalém – Gólgota)[2]. Deus, porém, não poupou seu Filho, mas o entregou por todos nós (cf. Rm 8,32). A morte de Jesus deixa de ser uma simples condenação, ou assassinato, para se tornar sacrifício único e perfeito pelo qual temos o perdão e a vida (nova e eterna Aliança). Jesus inaugura assim a estrada estreita que conduz à vida (cf. Mt 7,14).
Tanto sofrimento poderia desanimar, por isso precisamos subir a montanha com Pedro, Tiago e João. Lá em cima iremos contemplar quem é Jesus. A pergunta que ele mesmo tinha feito a todos os seus discípulos pouco antes (cf. Mc 8,29) será agora respondida pelo próprio Deus, não mais por Pedro: “Este é o meu Filho amado”. As palavras deixaram explícito aquilo que os três já estavam vendo: a divindade escondida do Verbo encarnado rompeu as paredes de sua carne e brilhou com toda a sua glória[3]. O Pai continua: “Escutai o que ele diz”. As palavras de Jesus não são simples conselhos sábios, mas Palavra de Deus, espírito e vida!
O que precisamos ouvir do Mestre? Aquilo que tinha acabado de dizer e repetirá logo em seguida:
E começou a ensinar-lhes que era necessário o Filho do Homem sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, depois de três dias, ressuscitar.
Chamou, então, a multidão, juntamente com os discípulos, e disse-lhes: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me"! (Mc 8,31.34)
O que fazer diante do sofrimento? Acreditar! Acreditar que Deus é tão bom e poderoso ao ponto de regatar cada dor, cada lágrima, e nos fazer chegar através delas à glória eterna (cf. 2Cor 4,17). E assim podermos dizer com os salmista: “Guardei a minha fé, mesmo dizendo: ‘É demais o sofrimento em minha vida!’” (Sl 115, 10).


Pe. Emilio Cesar
Pároco de Messejana



[1] Prefácio da Transfiguração do Senhor.
[2] Raniero Cantalamessa, La Parola e la vita. Riflessioni sulla Parola di Dio delle Domeniche e delle feste dell’anno B. 9a Ed., Roma: Città Nuova 2001, p. 74s.
[3] Raniero Cantalamessa, La Parola e la vita. Riflessioni sulla Parola di Dio delle Domeniche e delle feste dell’anno B. 9a Ed., Roma: Città Nuova 2001, p. 74.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

QUARTA-FEIRA DE CINZAS - TEMPO DA QUARESMA

 
Jl 2,12-18
2Cor 5,20 - 6,2
Mt 6,1-6.16-18

“Deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20).
Iniciamos a Quaresma, um tempo forte de preparação para a Páscoa, quando celebraremos o centro da nossa fé: paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor. Teremos “quarenta dias” (quadragésimai, daí a palavra quaresma) para colocar em prática a exortação de S. Paulo aos Coríntios: "Deixai-vos reconciliar com Deus" (2Cor 5,20). No fundo, reconciliar-se com Deus, é renovar a graça do nosso batismo, momento em que fomos perdoados de todos os nossos pecados e mergulhados na Santíssima Trindade (cf. Mt 28, 19).
A quarta-feira de cinzas nasce no VI ou VII século. Neste período existia o costume de inscrever os pecadores à penitência pública quarenta dias antes da Páscoa[1], mas esta data caia em um domingo. Como não se celebrava rito penitencial em dia de Domingo, fixou-se este ato para a quarta-feira anterior. As cinzas também faziam parte deste primeiro dia da Quaresma e se tonou muito popular entre os cristãos. A Igreja ao reformular o ano litúrgico não modificou esse costume, assim nasceu a “quarta-feira de cinzas”[2].
Depois de falarmos sobre a história precisamos refletir sobre o sentido desse dia: Deixai-vos reconciliar com Deus. A reconciliação tem dois movimentos. O primeiro nasce de Deus. Ele enviou ao mundo o Seu filho que assumiu sobre si o pecado de todos e morreu no nosso lugar para nos dar o perdão e uma vida nova. Essa é a primeira graça que o cristão recebe através da sua fé que conduz ao batismo. O tempo da quaresma é um tempo favorável (kairós) para renovar nossa fé em Cristo e a graça do batismo. É isso que a Igreja nos indica com a segunda leitura.
O segundo movimento da reconciliação parte do coração do homem e da mulher que se deixou tocar por Deus, é o arrependimento que gera penitência. Ouçamos novamente o convite da primeira leitura:
Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos: rasgai o coração e não as vestes; e voltai para o Senhor; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia... (Jl 2,12-14).
O coração bíblico não é a sede dos sentimentos mas das decisões, do discernimento e das escolhas. A conversão verdadeira nasce neste coração como uma decisão de deixar o pecado para trás e voltar-se inteiramente para Deus. Ela se expressa exteriormente e é ajudada pelo jejum, pela oração e pela misericórdia para com os mais necessitados.
No tempo de Jesus, essas práticas de piedade estavam sendo usadas não para se voltar para Deus mas para si enaltecer diante dos outros. Alguns doutores da lei quando davam esmola se mostravam para muitas pessoas para que vissem que eram generosos e o elogiassem. As orações de cunho mais pessoal eram feitas no meio das praças pelo mesmo motivo. Mesmo o jejum, algo difícil de ser notado, era marcado por sinais exteriores, e todos percebiam o rosto desfigurado daqueles que estavam jejuando. Em vez de se voltarem para Deus eles estavam se voltando para si mesmo, atraindo a atenção e o elogio das pessoas sobre si. Isso é o contrário do movimento que o homem e a mulher precisam fazer para se reconciliarem com Deus.
Jesus não aboliu estes três instrumentos de piedade do Antigo Testamento mas mostrou como eles devem ser utilizados: para ajudar a sair de si e se voltar para Deus. Com o jejum a pessoa descobre que não só de comida vive o ser humano mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Por isso, o tempo que sobra das refeições que não fazemos pode-se dedicar à leitura da Palavra. A oração é um encontro e uma conversa com quem deu o primeiro passo para nossa reconciliação. Por isso, precisamos intensificar os momentos que estamos na presença do nosso Senhor recebendo sua graça, sua força, seu amor. A esmola é muito mal entendida por nós católicos. Em geral, pensamos que é um trocado que damos a quem nos pede, que nunca faz falta no final do mês no nosso orçamento. Mas é muito mais do que isso!
Esmola é uma palavra de origem grega (eleêmosyne) que foi transposta da mesma maneira para o latim e depois para o português. Ela deriva do substantivo eleêmôn que foi traduzido para nossa língua por "misericordioso"[3]. Logo, "dar esmola" significa "ser misericordioso" com aquele que está necessitado. Quando damos um trocadinho pensamos, "já fiz minha parte", e nos desresponsabilizados por aquela pessoa necessitada. O dinheirinho que a gente dá pode estar prejudicando a pessoa que está acostumada aquela vida porque é mais cômoda, ou porque ganha mais que os trabalhadores assalariados fazendo bem menos.
Dar esmola significa ajudar a pessoa a crescer, a melhorar, a sair da margem da sociedade, ou de uma situação de miséria. Para isso preciso me responsabilizar por ela, chegar perto, olhar nos olhos, tocar, conhecê-la. Implica não só dinheiro mas também tempo, rompimento com preconceitos e medos... amor de Deus. Com essa explicação você pode estar pensando: vou continuar dando uns trocados porque fazer o que o padre está dizendo é muito difícil. Ser cristão é difícil! Sugiro que você comece pelas pessoas que estão mais perto de você: a pessoa que trabalha na sua casa, a diarista, o vizinho necessitado... Lembre-se, não é simplesmente dar dinheiro ou comida, é ajudá-lo a crescer como pessoa.
Dentro dessa perspectiva, podemos dizer que o fim de toda penitencia quaresmal é a esmola, ou seja, a caridade. Não adianta fazer jejuns e orar mais se isso não se converte em amor pelos mais necessitados. Neste momento de silêncio deixe o Senhor lhe sugerir 3 propósitos concretos para você viver nessa quaresma.


Pe. Emilio Cesar
Pároco de Messejana




[1] No tempo dos Padres da Igreja os quarenta dias da Quaresma eram contados do primeiro domingo da Quaresma até a quinta-feira da Ceia do Senhor.
[2] Para entender a maneira de contar os dias da Quaresma precisamos saber que os domingos não são computados porque no dia do Senhor não se jejua ((6 x 7) – 6) = 36). Os dias que vão da Quarta-feira de cinzas até o sábado antes do primeiro domingo são contados (4). Mas os dias que vão do Domingo de Ramos até a Quarta-feira da Semana Santa são deixados de fora (3). Dessa forma: 36 + 4 = 40.
[3] Eleêmôn deriva de eleos que significa misericórdia.

segunda-feira, 11 de março de 2013

V DOMINGO DA QUARESMA


Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Caros irmãos e irmãs,

Continuando o caminho da Quaresma, a Igreja nos apresenta neste domingo a passagem da mulher adúltera apanhada em flagrante. Esta passagem nos mostra dois grupos de pessoas necessitadas de conversão: o pecador público (mulher adúltera) e o religioso ágil em apontar os erros dos outros e lento para reconhecer os próprios (escribas e fariseus).
A lei do Antigo Testamento dizia: “Se um homem cometer um adultério com a mulher do próximo, o adúltero e a adúltera serão punidos com a morte” (Dt 20,10). Era isso que os escribas e os fariseus queriam fazer, aplicar a lei. Mas aproveitaram a ocasião para tentar apanhar Jesus em alguma falta: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” (v. 4).
Jesus se agachou e começou a escrever na terra – talvez uma forma de dizer: Vejam de que material vocês todos, não só esta mulher, são feitos: terra, pó. O gesto não foi compreendido pelos escribas e fariseus, que continuavam insistindo com Jesus. Finalmente o Mestre fala: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra” (v. 7). Aqueles que estavam tão decididos a fazer justiça, a extirpar o mal do seu meio (cf. Dt22,22.24), começaram a olhar para si e parece que perceberam que eles também eram pecadores. Largaram as pedras e saíram um a um, começando pelos mais velhos.
Não é difícil que aqueles que têm uma prática religiosa assídua, uma moral reta e um comprometimento com a Igreja, caiam neste mesmo erro se não buscam aprofundar sua fé em Jesus a cada dia. São especialistas em apontar o cisco que está no olho do outro, mas não conseguem ver a trave do próprio. Estes precisam de conversão. Nesta Quaresma, eles precisam descobrir que a perfeição de Deus (Mt 5, 48) é a misericórdia: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso. ‘Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoais e sereis perdoados’” (Lc 6,36-37).
Para que esta conversão aconteça é fundamental que o homem e a mulher religiosos se tornem homem e mulher de fé. Ser religioso significa ter práticas que são somente frutos da educação dos pais, da cultura, do próprio hábito ou de tendências naturais, mas que não são consequências de um encontro com Jesus ressuscitado que me leva a uma adesão pessoal e a entrar num contínuo processo de conversão. O homem e a mulher de fé são aqueles que fizeram a experiência que Paulo fez no caminho de Damasco (At 9,1ss) e por isso podem afirmar com ele: “Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema  que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor” (Fl 3,8). O conhecimento do Senhor é uma experiência de fé que abraça toda a vida e coloca a pessoa num caminho de conversão diária. Toda a sua vida e práticas religiosas precisam ser revisitadas, revistas a partir deste encontro. É claro que este caminho nunca pode ser feito sozinho, mas precisa ser enraizado numa comunidade de fé, para que ela ajude o fiel a, juntos com os irmãos,“alcançar Cristo” (Fl 3,12). Por isso, nós insistimos que os adultos, jovens e crianças da nossa paróquia precisam participar ativamente de um grupo de catequese e de sua comunidade.
A adúltera representa o outro grupo de pessoas que a Igreja convida à conversão, os pecadores públicos. Jesus disse claramente que não são os que têm (ou acham que têm) saúde que precisam de médico, mas os doentes; não são os justos (ou os que acham ser) que ele veio chamar à conversão, mas os pecadores (cf. Lc 5,31-32). São estas pessoas, que chegaram ao fundo do poço e se reconhecem necessitadas de salvação que mais facilmente podem encontrar Jesus ressuscitado no caminho da sua vida.
Nesta Quaresma, a Igreja, mais uma vez, chama todos à conversão. Não apenas a uma mudança de comportamentos religiosos para se tornarem “melhores” (“bons cristãos”), mas a uma mudança de mentalidade para se tornarem homens e mulheres de fé, que têm coragem de seguir Jesus, mesmo quando isto pode levar a perseguições.

Pe. Emilio Cesar
Pároco de Guaiuba

segunda-feira, 4 de março de 2013

IV DOMINGO DA QUARESMA


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Caros irmãos e irmãs,

Talvez muitos de nós tenham ouvido seus pais, avós ou até padres dizendo: “É preciso ser bom cristão, ser pessoa de bem...” e elencam os dez mandamentos da lei de Deus e os cinco da Igreja para dizer o que é um bom cristão. Crescemos com a ideia de que o Cristianismo é uma religião da moral, nos escandalizamos com os pecadores inveterados, com os libertinos. Se um desses entra na Igreja para fazer suas orações entre lágrimas, olhamos com desconfiança e nos afastamos para um banco bem distante. As leituras de hoje falam diretamente ao coração dos chamados “bons cristãos”, dos cristãos de moral rígida que disfarçadamente desprezam os pecadores e pensam que a vida reta depende unicamente de suas forças.
No evangelho encontramos a história de um pai que possuía dois filhos. O mais novo pediu a parte da sua herança e saiu de casa para “aproveitar a vida”. Gastou tudo com farras e, quando não tinha mais nada, precisou trabalhar cuidando de porcos (animal considerado impuro para um judeu como aquele jovem). Ele tentava comer ao menos a ração dos suínos (não era lavagem e sim um fruto do carvalho ou da azinheira chamado bolotas), mas não lhe permitiam. Aquele filho, que de alguma forma tinha matado seu pai porque pediu antecipadamente sua herança, longe da família, sem dinheiro, abandonado pelos amigos de farra e com fome “caiu em si”: “Quantos empregados do meu pai tem pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou embora, vou voltar para casa do meu pai e dizer-lhe: ‘Pai pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’ ” (vv. 17-19). Nestes versículos está escondida a grande diferença do retorno deste filho para o retorno de um aproveitador. Ele reconheceu que o caminho que tinha trilhado estava errado e desejava retornar para casa do pai ao menos como um empregado. Não pensava ser bem recebido, se aproveitar mais uma vez de seu pai, muito menos ser acolhido novamente como filho. A verdadeira reconciliação com Deus que S. Paulo fala na segunda leitura começa com este “cair em si”, reconhecer a própria situação de pecador e perceber-se necessitado de retornar para o Senhor.
Eu imagino a cena daquele filho retornando para casa, cabisbaixo, arrasado, com as roupas sujas e fedidas, ensaiando o que iria dizer para seu pai: “Pai pequei contra Deus e contra ti...”. E o pai que, talvez, do alto de sua varanda percebe um andar conhecido ainda distante, apurando mais a vista reconhece que é seu filho e sente compaixão (não é pena, mas um amor que padece com quem está sofrendo), sai correndo ao seu encontro, abraça-o e cobre-o de beijos. Todas estas ações são muito estranhas para um homem idoso, daquela época , em uma cultura onde o homem tinha a primeira e última palavra. Seria como se um fazendeiro-coronel do nosso sertão de 100 anos atrás fizesse isso com um filho que retorna para casa depois de ter feito tudo o que esta história conta.
Só depois que o pai demonstra seu carinho é que deixa o filho falar: “Pai pequei..”(v. 21), mas não o deixa terminar a frase e dizer: “trata-me como um dos teus empregados” (v. 19). O pai o interrompe. O filho “caiu em si” e voltou, está arrependido do que fez, isso basta para o pai: “Trazei depressa a melhor túnica para vestir o MEU FILHO” (v. 22). E pede que tragam todos os sinais que mostram a dignidade de filho e se faça festa, porque aquele que estava morto tornou a viver, o que estava perdido foi encontrado.
Que pai faria isso? O Pai do céu, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que também é nosso Pai. Ele faz festa com cada pecador que retorna à sua casa. Ele fica esperando que alguém retorne para acolher, devolver a dignidade de filho e fazer festa.
Mas quando continuamos a leitura da parábola percebemos que não era apenas o mais novo que precisava de conversão, o mais velho também, e a conversão deste é bem mais difícil. Ele nunca tinha desobedecido as ordens de seu pai e trabalhava incansavelmente para ele, mas nunca tinha visto o seu genitor como um pai e sim como patrão. Ele nunca tinha tido coragem de pedir um novilho para fazer festa com seus amigos, porque achava que não podia usufruir do que ainda não era seu. O “filho-empregado” ficou com muita raiva e não queria entrar na festa que seu pai estava dando para o “filho dele” (o mais velho não considerava o mais moço seu irmão). Ninguém conhece o final desta história, não sabemos se ele aceitou ou não o convite do pai e entrou na festa, nesta nova mentalidade do amor do pai.
Este filho mais velho é muito parecido com aquelas pessoas que falamos no início desta homilia. Elas têm dificuldade de entender o Cristianismo como a festa da misericórdia do Pai, de aceitar que a Igreja é a casa dos pecadores arrependidos ou em processo, de se colocar como alguém necessitado de conversão e reconciliação. Será que nós já entramos nesta festa, nesta nova mentalidade? Somos verdadeiros cristãos ou judeus rígidos, apegados à lei que Jesus criticou nesta e noutras passagens?
“... em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas” (1Cor 5,19).

Pe. Emilio Cesar
Pároco de Guaiuba

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

III DOMINGO DA QUARESMA


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Caros irmãos e irmãs,

As leituras de hoje podem nos causar um certo desconforto e receio: “Então se eu não me converter vai acontecer uma tragédia comigo?”
Para interpretar adequadamente o Evangelho e a segunda leitura é preciso retornar à oração inicial (oração coleta): “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia”.

No evangelho, Jesus comenta duas tragédias de seu tempo. O que aconteceu com aqueles que foram assassinados por Pilatos ou morreram esmagados pela torre de Siloé não foi consequência de seus pecados, mas é uma mensagem para todos os pecadores. Se não nos convertermos, nossa sorte será igual ou pior, porque nos perderemos. O Senhor não está afirmando que as catástrofes só acontecem por causa dos pecados da humanidade. Ele está ensinando algo mais profundo: morrer em pecado é uma catástrofe pior que as mencionadas por ele, é a perdição.
Este ensinamento de Jesus, porém, é compreendido melhor à luz da parábola que ele conta a seguir. O dono de uma vinha possuía uma figueira que há três anos não dava fruto. Ele então resolveu cortá-la para não ficar inutilizando a terra, mas o vinhateiro (o empregado que trabalhava cuidando da vinha) intercedeu pela árvore: “Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a  cortarás” (v.9). Jesus é o vinhateiro que, com sua vida, morte e ressurreição, intercedeu por nós, figueiras estéreis, homens e mulheres pecadores.
Na primeira leitura percebemos que a misericórdia é a forma de Deus agir com o seu povo: “Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores (...) Desci para libertá-los das mãos dos egípcios, e fazê-los sair daquele país para uma terra boa e espaçosa,  uma terra onde corre leite e mel” (Ex 3,7-12). Para os primeiros cristãos e a Igreja, o trabalho forçado no Egito é símbolo da escravidão do pecado e a terra prometida é sinal de uma vida nova. O próprio Deus desce do céu para libertar o seu povo, e Ele faz isso através de seu Filho Jesus Cristo. Não só liberta do pecado mas dá uma vida de felicidade, de abundância.
Estas leituras nos mostram claramente que Deus sempre quer agir com misericórdia para com os seus, porque Ele é misericórdia. Mas Ele também é justo e age consequentemente para quem escolhe um caminho de perdição, quem prefere viver no Egito e não dar frutos. Deus não trata igualmente aqueles que o procuram e tentam viver segundo a sua Palavra e aqueles que vivem blasfemando, odiando o próximo, roubando os pobres.
Recordemos, então, o convite que a Igreja nos fez na Quarta-feira de Cinzas: “Convertei-vos e crede no evangelho”.

Pe. Emilio Cesar
Pároco de Guaiuba

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Sentido da Quaresma

PARÓQUIA JESUS MARIA E JOSÉ
PROJETO DE EVANGELIZAÇÃO – PORTA DOS ADULTOS
INÍCIO DO RETIRO DA QUARESMA - ANO A

01-    VIA-SACRA (Saída do local da catequese)

MOMENTO DE MEDITAÇÃO  COM A PALAVRA DE DEUS
(Igreja)

02-    CANTO DE ABERTURA
Todo povo sofredor o seu pranto esquecerá, pois o que plantou na dor na alegria colherá! (bis)
1. Retornar do cativeiro, Fez-se sonho verdadeiro, sonho de libertação ao voltarem os exilados, Deus trazendo os deportados, libertados pra Sião!
2. Nós ficamos tão felizes, nossa boca foi sorrisos, nossos lábios só canções! nós vibramos de alegria: “O Senhor fez maravilhas”, publicaram as nações!
3. Ó Senhor, Deus poderoso, não esqueçais o vosso povo a sofrer na escravidão.
nos livrai do cativeiro, qual chuvada de janeiro alagando o sertão.
4. Semeando na agonia, espalhando cada dia a semente do amanhã, a colheita é uma alegria, muito canto e euforia: é fartura, é Canaã.

03 - ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO - I
- Escuta Israel, Javé teu Deus vai falar. Fala Senhor Javé, Israel quer te escutar. (bis)

04 - EVANGELHO (1º domingo da Quaresma) Mateus 4,1-11

Celebrante: O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós.
Celebrante: proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus. Glória a vós, Senhor.
NARRADOR: Naquele tempo, 1o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. 3Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus:
DIABO: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”
NARRADOR: 4Mas Jesus respondeu:
JESUS: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. NARRADOR: 5- Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, 6e lhe disse:
DIABO: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.
NARRADOR:  7Jesus lhe respondeu:  
JESUS: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus! ’”
 NARRADOR: 8Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, 9e lhe disse:
DIABO: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”.
NARRADOR: 10Jesus lhe disse:
JESUS: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’”.
 NARRADOR: 11Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.
Celebrante: Palavra da Salvação – Glória a vós Senhor





04-   MEDITAÇÃO
·         Silêncio
·         Cantado ou recitado em jogral.
Nós vivemos de toda a palavra que procede da boca de Deus: a Palavra de vida e verdade que sacia a humanidade.
1- Impelidos ao deserto retomamos a estrada que conduz ao paraíso, Nossa vida e morada.
2- As prisões da humanidade assumidas pelo Cristo são lugares de vitória, ele veio para isto!
3- O Senhor nos deu exemplo ao vencer a noite escura: superou a dor do mundo, renovando as criaturas.
4- Celebramos a memória do amor que ao mundo veio. Junto dele venceremos o inimigo verdadeiro.

05-  ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO – II
A Palavra está perto de ti em tua boca e em teu coração. (bis)

06-  EVANGELHO (2º domingo da Quaresma) Mateus 17, 1-9
Celebrante: O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós.
Celebrante: Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus. Glória a vós, Senhor!
NARRADOR: Naquele tempo, 1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4Então Pedro tomou a palavra e disse:
PEDRO: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.
NARRADOR: 5Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia:
DEUS: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!”
NARRADOR: 6Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7Jesus se aproximou, tocou neles e disse:
 JESUS:“Levantai-vos e não tenhais medo”.  
NARRADOR: 8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes:
JESUS: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.
Celebrante: Palavra da Salvação - Glória a vós, Senhor.

MEDITAÇÃO
·         Silêncio
·         Canto
Então, da nuvem luminosa, dizia uma voz: "Este é meu Filho amado, escutem sempre o que Ele diz!”
1. Transborda um poema do meu coração: Vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção:
2. Sois tão belo, o mais belo entre os filhos dos homens!Porque Deus, para sempre, vos deu sua bênção.
3. Vós amais a justiça e odiais a maldade, É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo.
4. Cantarei vosso nome de idade em idade, Para sempre haverão de louvar-vos os povos!

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO – III
É como a chuva que lava, é como fogo que arrasa.  Tua Palavra é assim não passa por mim sem deixar um sinal.
1. Tenho medo de não responder, de fingir que não escutei, tenho medo de ouvir teu chamado, virar do outro lado, e fingir que não sei.




EVANGELHO (3º domingo da Quaresma) João 4,5-15.19b-26. 39a.40-42

Celebrante: O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós.
Celebrante: Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João. Glória a vós, Senhor!
NARRADOR: Naquele tempo, 5Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. JESUS: Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”.
NARRADOR: 8Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9A mulher samaritana disse então a Jesus:
SAMARITANA:Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” NARRADOR: De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.  10Respondeu-lhe Jesus:
JESUS: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”.
NARRADOR: 11A mulher disse a Jesus:
SAMARITANA “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar água viva? 12Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?”
 NARRADOR: 13Respondeu Jesus:
JESUS: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 
NARRADOR15A mulher disse a Jesus:
 SAMARITANA “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b“Senhor, vejo que és um profeta!” 20Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”.
NARRADOR: 21Disse-lhe Jesus:
JESUS:  “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”.
 NARRADOR: 25A mulher disse a Jesus:
SAMARITANA “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”.
NARRADOR: 26Disse-lhe Jesus:
JESUS: “Sou eu, que estou falando contigo”.
NARRADOR: 39aMuitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.
Celebrante: - Palavra da Salvação. Glória a vós, Senhor.

MEDITAÇÃO
·         Silêncio
·         Canto


1- Se conhecesses o dom de Deus, quem é que te diz: Dá-me de beber, és tu que lhe pedirias e Ele te daria
D'água viva, sempre a correr!
Senhor, dá-me de beber, vem e me sacia, em tua fonte viva. Senhor, dá-me de beber, vem e me sacia,
Nesta santa Eucaristia!
2 - Quem crê em Mim, dentro de si terá, meu Santo Espírito, fonte a jorrar, um rio de água viva, capaz de saciar,
a sua sede, sede de Deus

HOMILIA
ASPERSÃO
·         Momento de oração pedindo a graça de Deus em nossas vidas;
·         Canto para aspersão
Eu te peço desta água que tu tens. És água viva meu senhor tenho sede, tenho fome de amor
e acredito desta fonte de onde vens, vens de Deus, estás em Deus, também és Deus e Deus contigo faz
um só. Eu, porém, que vim da Terra e volto ao pó quero viver eternamente ao lado Teu.
És água viva, És vida nova e todo dia me batizas outras vez me fazes renascer, me fazes reviver e quero água desta fonte de onde vens.

PARTILHA
·         Incentivar a partilha de duplas.

ORAÇÃO FINAL
Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
BENÇÃO
·         Por conta do celebrante