“Ficai preparados” (Mt 24, 44).
Iniciamos hoje um novo ano litúrgico na Igreja com o tempo
do Advento. Essa palavra vem do latim, adventus,
e significa “vinda”, “chegada”. As primeiras notícias sobre este tempo[1]
datam do século IV e mostram que em alguns lugares era vivido como preparação
para o Natal do Senhor e em outros como preparação para a sua vinda gloriosa. A
reforma litúrgica inspirada no Concílio Vaticano II desejou conservar esta
dupla característica do Advento. Assim, até o dia 16 de dezembro, a Igreja
apresenta leituras e orações que convidam os fieis a se prepararem para a
segunda vinda; e nos dias que seguem, para o nascimento do Menino Deus.
Na primeira leitura, encontramos o povo de Deus em um momento
de crise. Ele procurava fazer alianças com homens poderosos e suas nações em
vez de buscar o Senhor. Os acontecimentos daquele tempo não permitiam ao povo ter
esperança que Deus estava ao seu lado e iria agir; a confiança era depositada
apenas nos poderosos do mundo. Por isso Isaías profetiza:
Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas e dominará as colinas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão numerosos povos e dirão: “Vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos”; porque de Sião provém a lei e, de Jerusalém, a palavra do Senhor (Is 2,2-3).
Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas e dominará as colinas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão numerosos povos e dirão: “Vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos”; porque de Sião provém a lei e, de Jerusalém, a palavra do Senhor (Is 2,2-3).
Deus está do lado do seu povo ameaçado pelos poderosos e vai
instaurar o Seu reino. Será um tempo que não haverá mais guerra entre nações,
as armas serão transformadas em instrumentos de plantio e colheita (arados,
foices), porque será um tempo de paz. Por isso, o profeta convida: “Vinde todos
da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor” (Is 2,5).
O judeu espera esse reino de paz com a vinda do messias. Nós,
cristãos, acreditamos que o Reino de Deus já iniciou com o Messias Jesus, porém
precisamos constatar que a paz ainda não chegou sobre a terra, nem mesmo entre todos
os cristãos! Não foi isso que assistimos nesta última semana no nosso
município: o afastamento e retorno do prefeito foi desculpa para tanta guerra,
falta de respeito, baixarias, violência, bebedeiras... Onde está o Reino de paz
trazido por Jesus?
Está no meio daqueles que se submetem ao seu senhorio e
procuram viver segundo o ensinamento do Mestre: perdoando quem lhe ofendeu,
respeitando e amando quem pensa diferente ou é de outro partido, não
prejudicando os adversários com mentiras ou maquinações diabólicas. O Reino que
Jesus instaurou com sua morte, ressurreição e envio do Espírito Santo não se
encontra em todos os lugares, nem em todas as pessoas, mas somente no meio
daqueles que, apesar de seus pecados, procuram viver de acordo com o evangelho
do amor, do perdão e da paz.
Será que a luta entre Reino de Deus e “reino do mal” nunca
vai acabar? O evangelho de hoje nos dá uma resposta muito clara e forte, um
convite a mudar as próprias atitudes:
A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Pois nos
dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em
casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que
veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do
Homem (Mt 24,37-39).
A luta entre os diversos reinos irá acabar com a vinda do
Filho do Homem. E ela acontecerá quando menos se espera. Parodiando a passagem
lida, podemos dizer: Enquanto vocês estiverem comemorando uma vitória, fazendo
pouco dos adversários, ou tomados de paixão pelo partido e seu representante baterem
num irmão, enquanto vocês estiverem bebendo e dizendo palavras de baixo calão
contra irmãos que estão no outro partido... Jesus pode voltar. “Portanto, ficai
atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor (...) na hora em que menos pensais,
o Filho do Homem virá” (Mt 24,42.44).
A preparação para a vinda gloriosa do Senhor se dá de uma
maneira muito simples: é preciso despertar, sair do sono do pecado e permanecer
vigilantes na vivência do evangelho. É o que São Paulo falou na segunda
leitura. Parece até que ele viu o que aconteceu no nosso município e escreveu
para nós:
Procedamos honestamente, como em pleno dia; nada de
glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo
contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo (Rm 13,13-14).
Será que o que fizemos nesta última semana seria o mesmo que
Jesus teria feito? Isso significa “revestir-se do Senhor”.
Gostaria de concluir esta homilia com uma parte do prefácio
da missa que vou rezar hoje e que, com poucas palavras, apresenta a
espiritualidade do Advento que tentei apresentar de uma forma bem concreta, a
partir do que aconteceu conosco esta semana:
Revestido da nossa fragilidade,
ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o
caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para
conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos
(Prefácio do Advento I).
Pe. Emilio Cesar
Pároco
de Guaiuba
[1] Nas Igrejas orientais o advento é composto de poucos dias
de preparação para o Natal. Por isso podemos afirmar que é um tempo litúrgico
típico do ocidente (cf. A. Berbamini, “ADVENTO”, in, D. Sartore – A.M. Triacca (Org.), Dicionário
de Liturgia. 4a ed.,
São Paulo: Paulus, 2009. p. 12.)
Pe. Emilio Cesar,
ResponderExcluirBom dia!
Na verdade vimos a violência e baixaria na cidade de Guaiuba, devido a cassação do prefeito Kaio e da vice - prefeita Verônica. Eu acredito que o povo não estava preparado para acontecimentos como esses. Quem diria um dia na cidade de Guaiuba, o presidente da câmara municipal asumir o executivo municipal de Guaiuba. Talvez não entenderam que nós somos regido por leis, e essa lei foi cumprida. Mas a forma que repercutiu o nosso municipio não foi das melhores, até a imprensa teve na nossa cidade mostrando a realidade do que estava acontecendo para o Brasil. Não queria que nossa cidade não transmitisse essa imagem ruim. Mas a politica de Guaiuba não tem a mesma bondade da politica de Jesus Cristo. Devemos seguir o Cristo como modelo, a paz deve reinar em Guaiuba e as pessoas devem amar as outras como verdadeiros irmãos, sei que existem as discussões, mas a violência não é bom, só deixa a intringa, e a inimizade não é Deus, Deus quer que sejamos todos amigos, respeitandos uns aos outros, na sua crença, no seu partido, e da forma que você é. Porque só Deus é o Juiz.
PADRE EU GOSTEI DESSA HOMILIA E HOJE MESMO FIQUEI A INDAGAR SE AMBOS DIZEM ESTÁ CONFIANTE NA JUSTIÇA DE DEUS, AFINAL EM QUEM ACREDITAR O QUE TENHO A DIZER É QUE TODOS TENHAM CONSCIÊNCIA QUE ESTÁ CONFIANTE NA JUSTIÇA DE DEUS POIS APENAS DEUS CONHECE PROFUNDAMENTE SEUS FILHOS E QUEM ESTIVER ENGANANDO SEUS IRMÃOS SERÁ REPREENDIDO PELO PAI OU PUNIDO POIS DEUS QUE OS FILHOS EM SUA OBEDIÊNCIA. QUE DEUS PROTEJA E SEJA MOSTRADO TODA A VERDADE.
ResponderExcluirNa missa de domingo a noite expliquei que o cristão pode estar de um lado ou de outro da política, mas o que não poderia é se aproveitar desses momentos tão difíceis de comemoração ou de tristeza para humilhar o adversário, semear discórdia, plantar mentiras. Se somos cristão autênticos, podemos comemorar vitória ou chorar a derrota, mas sempre procurando viver a mensagem de paz, respeito, verdade que Jesus trouxe ao mundo.
ResponderExcluirPe Emílio ,além de ser sábio ,é ungido por Deus.Muito importante explicação.
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